| Simone
Cristi na Boaventura
Julian Karla Covas da Cunha
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A Intercom Sudeste, realizado
em 22, 23 e 24 de maio, no Centro Universitário
Barão de Mauá, promoveu um amplo debate
sobre o ensino de comunicação. Pela primeira
vez, o evento foi realizado fora de capitais. Uma das
presenças de maior destaque no evento foi o prof.
dr. Adolpho Queiroz, da UMESP (Universidade Metodista
de São Paulo), que também é vice-presidente
da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares
da Comunicação). Na entrevista exclusiva
que concedeu ao Jornal do Barão, Queiroz falou
sobre o futuro dos seminários da Intercom, ética
e sobre a cobertura da imprensa em ano eleitoral.
JB: Como surgiu a idéia
de realizar a Intercom Sudeste fora das capitais?
Prof. Dr. Adolpho: A Intercom Sudeste é um evento
realizado há 11 anos, sendo que antigamente ele
acontecia a cada dois anos. Agora, a partir da nova
diretoria, será realizada em faculdades de São
Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo ou Rio de
Janeiro. A intenção é revigorar
o evento e abrir espaços para que o universitário
participe e interaja.
JB: Quem apresentou paper,
na Intercom Sudeste, poderá apresentar novamente
na Expocom, em Brasília?
Prof. Dr. Adolpho: Os trabalhos apresentados nos congressos
são inéditos, por isso, o que é
apresentado na Intercom Sudeste não pode ir para
a Expocom. Mas, a nossa intenção no ano
que vem, é fazer uma etapa classificatória
nas regiões. Todos os trabalhos da Expocom serão
selecionados nos congressos Regionais e os melhores
irão ao congresso em nível Nacional. Isso
só para os alunos, pois para os professores não
é praxe apresentar o mesmo trabalho em dois congressos
parecidos. Essa é uma regra da academia.
JB: O senhor acredita que,
em ano eleitoral, os meios de comunicação
tendem a ser favoráveis ao governo?
Prof. Dr. Adolpho: O governo tem a máquina nas
mãos. Tem possibilidade de “conseguir”
anúncios como o da Petrobrás, Correios,
Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, e ele
vai jogar esses anúncios a seu favor. Naturalmente,
na TV Globo, no SBT, na TV Record, que precisam de dinheiro
para pagar seus funcionários, pagar equipamentos
e luz no final do mês. Evidentemente, as emissoras
não farão campanha crítica muito
contundente em cima do Lula. E se o Alckmin tiver o
mesmo poder de fogo que o Lula, terá, por exemplo,
a Caixa Econômica do Estado (Nossa Caixa), a Sabesp,
ao seu favor. Enfim, se Alckmin colocar as empresas
de economia mista do Estado, Cetesb e Companhia Paulista
de Força de Luz, dando dinheiro para os jornais,
provavelmente ele consiga equilibrar, mesmo assim, o
Lula tem mais poder de fogo em cima das emissoras de
rádio, TV s e jornais. O governo, no momento,
tem mais dinheiro para a publicidade. Isso pode ser
um fator que desequilibre e aí todas as coisas
que a gente viu, leu ou ouviu, em 2005, provavelmente,
fiquem soterradas com argumentos do tipo: a Petrobrás
está dizendo que o Brasil é auto-suficiente
em petróleo. Assim, você cria as condições
objetivas para que o candidato que está aí
continue e se perpetue.
JB: Sobre a ética
na profissão, qual recado o senhor passaria ao
estudante de comunicação?
Prof. Dr. Adolpho: Ser um jornalista profissional significa
buscar a verdade, trabalhar pela verdade, buscar uma
postura ética sempre irrepreensível. No
entanto, há uma diferença gigantesca entre
ser um jornalista profissional e ser dono de uma empresa
jornalística impressa, de rádio ou de
televisão. Os governantes, quando fazem seus
acertos nos períodos eleitorais, conversam com
o dono da Globo, do Estadão, da Veja. Eles não
conversam com os jornalistas dos veículos. O
jornalista, se quiser manter o emprego, vai cumprir
a pauta de acordo com a postura que o dono da empresa
adotar naquele momento. Então, acho que as escolas
dão ao estudante uma falsa visão de que
eles têm autonomia, liberdade de ação,
independência de poder escrever o que quiser.
O jornalista só vai ter autonomia se um dia for
dono do próprio jornal. Enquanto formos profissionais
ligados às empresas, seremos subordinados à
linha editorial do veículo. Se decidir não
publicar determinada foto, um resultado de jogo de futebol,
uma notícia policial, infelizmente, temos que
nos submeter a ele.
O prof. dr. Adolpho Queiroz
concluiu doutorado em Comunicação Social
pela Universidade Metodista de São Paulo, em
1998. Atualmente, é professor do programa de
pós-graduação em Comunicação
Social da UMESP e vice-presidente da Sociedade Brasileira
de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
(Intercom). Entre suas produções recentes,
destacam-se seis artigos publicados em periódicos
especializados, três trabalhos em anais de eventos,
dois capítulos de livros e dois livros de autoria
própria. Orientou 20 dissertações
de mestrado na área de Comunicação,
tendo interagido com 25 colaboradores em co-autorias
de trabalhos científicos. Em seu currículo,
uma produção científica, tecnológica
e artístico-cultural, focalizada, principalmente,
no marketing político e na propaganda política
através do tema “Publicidade e Eleições”.
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