Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Barão 40 anos (1)

Barão 40 anos (2)

Expediente

150 anos RP

150 ou 153 anos?

Cidade da Comunicação

Nem tudo é festa

COTIDIANO

União de esforços

Top 100!

4º Arraiá da
Barão de Mauá

CIÊNCIA e TECNOLOGIA

Intercâmbio de conhecimento

Palavras do mestre

Revista científica Dialogus foi lançada
na X Semana de Estudos
de História e Geografia

Barão de Mauá comemora 40 anos
com missa, teatro, festa e inauguração de duas bibliotecas

COMPORTAMENTO

Bares verdes e amarelos

Ambição positiva

ESPORTE

Futsal no Pan 2007

Quero ser craque!

SAÚDE

HC 50 anos

Colesterol e as doenças no coração

CIÊNCIA e TECNOLOGIA

Palavras do mestre

Adolpho Queiroz - vice-presidente da Intercom - defendeu a ética na comunicação

Foto: Divulgação

Simone Cristi na Boaventura
Julian Karla Covas da Cunha
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A Intercom Sudeste, realizado em 22, 23 e 24 de maio, no Centro Universitário Barão de Mauá, promoveu um amplo debate sobre o ensino de comunicação. Pela primeira vez, o evento foi realizado fora de capitais. Uma das presenças de maior destaque no evento foi o prof. dr. Adolpho Queiroz, da UMESP (Universidade Metodista de São Paulo), que também é vice-presidente da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação). Na entrevista exclusiva que concedeu ao Jornal do Barão, Queiroz falou sobre o futuro dos seminários da Intercom, ética e sobre a cobertura da imprensa em ano eleitoral.

 

JB: Como surgiu a idéia de realizar a Intercom Sudeste fora das capitais?
Prof. Dr. Adolpho: A Intercom Sudeste é um evento realizado há 11 anos, sendo que antigamente ele acontecia a cada dois anos. Agora, a partir da nova diretoria, será realizada em faculdades de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo ou Rio de Janeiro. A intenção é revigorar o evento e abrir espaços para que o universitário participe e interaja.

 

JB: Quem apresentou paper, na Intercom Sudeste, poderá apresentar novamente na Expocom, em Brasília?
Prof. Dr. Adolpho: Os trabalhos apresentados nos congressos são inéditos, por isso, o que é apresentado na Intercom Sudeste não pode ir para a Expocom. Mas, a nossa intenção no ano que vem, é fazer uma etapa classificatória nas regiões. Todos os trabalhos da Expocom serão selecionados nos congressos Regionais e os melhores irão ao congresso em nível Nacional. Isso só para os alunos, pois para os professores não é praxe apresentar o mesmo trabalho em dois congressos parecidos. Essa é uma regra da academia.

 

JB: O senhor acredita que, em ano eleitoral, os meios de comunicação tendem a ser favoráveis ao governo?
Prof. Dr. Adolpho: O governo tem a máquina nas mãos. Tem possibilidade de “conseguir” anúncios como o da Petrobrás, Correios, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, e ele vai jogar esses anúncios a seu favor. Naturalmente, na TV Globo, no SBT, na TV Record, que precisam de dinheiro para pagar seus funcionários, pagar equipamentos e luz no final do mês. Evidentemente, as emissoras não farão campanha crítica muito contundente em cima do Lula. E se o Alckmin tiver o mesmo poder de fogo que o Lula, terá, por exemplo, a Caixa Econômica do Estado (Nossa Caixa), a Sabesp, ao seu favor. Enfim, se Alckmin colocar as empresas de economia mista do Estado, Cetesb e Companhia Paulista de Força de Luz, dando dinheiro para os jornais, provavelmente ele consiga equilibrar, mesmo assim, o Lula tem mais poder de fogo em cima das emissoras de rádio, TV s e jornais. O governo, no momento, tem mais dinheiro para a publicidade. Isso pode ser um fator que desequilibre e aí todas as coisas que a gente viu, leu ou ouviu, em 2005, provavelmente, fiquem soterradas com argumentos do tipo: a Petrobrás está dizendo que o Brasil é auto-suficiente em petróleo. Assim, você cria as condições objetivas para que o candidato que está aí continue e se perpetue.

 

JB: Sobre a ética na profissão, qual recado o senhor passaria ao estudante de comunicação?
Prof. Dr. Adolpho: Ser um jornalista profissional significa buscar a verdade, trabalhar pela verdade, buscar uma postura ética sempre irrepreensível. No entanto, há uma diferença gigantesca entre ser um jornalista profissional e ser dono de uma empresa jornalística impressa, de rádio ou de televisão. Os governantes, quando fazem seus acertos nos períodos eleitorais, conversam com o dono da Globo, do Estadão, da Veja. Eles não conversam com os jornalistas dos veículos. O jornalista, se quiser manter o emprego, vai cumprir a pauta de acordo com a postura que o dono da empresa adotar naquele momento. Então, acho que as escolas dão ao estudante uma falsa visão de que eles têm autonomia, liberdade de ação, independência de poder escrever o que quiser. O jornalista só vai ter autonomia se um dia for dono do próprio jornal. Enquanto formos profissionais ligados às empresas, seremos subordinados à linha editorial do veículo. Se decidir não publicar determinada foto, um resultado de jogo de futebol, uma notícia policial, infelizmente, temos que nos submeter a ele.

 

O prof. dr. Adolpho Queiroz concluiu doutorado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo, em 1998. Atualmente, é professor do programa de pós-graduação em Comunicação Social da UMESP e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Entre suas produções recentes, destacam-se seis artigos publicados em periódicos especializados, três trabalhos em anais de eventos, dois capítulos de livros e dois livros de autoria própria. Orientou 20 dissertações de mestrado na área de Comunicação, tendo interagido com 25 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. Em seu currículo, uma produção científica, tecnológica e artístico-cultural, focalizada, principalmente, no marketing político e na propaganda política através do tema “Publicidade e Eleições”.